9 de fevereiro de 2026
Redação TV UNIFASE Todo começo de ano traz expectativas, planos e desafios. Para quem ensina, também traz perguntas: como cuidar do outro sem esquecer de si? E como ensinar em um mundo cada vez mais acelerado? Esses questionamentos nortearam a Semana de Desenvolvimento Docente da UNIFASE e da Escola Técnica Irmã Dulce Bastos, que neste primeiro semestre uniu educação e saúde mental em uma programação voltada não apenas à capacitação, mas também à escuta, ao acolhimento e ao fortalecimento dos laços entre professores. Para a reitora da UNIFASE, Maria Isabel de Sá Earp de Resende Chaves, o encontro reforça a importância da integração entre os profissionais da educação e o cuidado com quem forma novas gerações. “Estamos no começo do período letivo, e a semana de capacitação docente marca esse recomeço: reunir os professores, valorizar sua profissão, trabalhar com as propostas para este ano, acolher suas dúvidas, ambições, seus desejos. Reuni-los para discutir seu envolvimento no projeto pedagógico institucional. Tornar nossos professores parte desse corpo docente é mais que reuni-los, é fazê-los entender, compreender, compartilhar, vivenciar, distribuir o ônus e o bônus da profissão. E também fazê-los compartilhar angústias e sofrimentos para que a prática pedagógica seja mais leve, mais prazerosa, não seja responsabilidade de um único professor, mas todos juntos formando esse corpo docente”, citou. Saúde mental como questão coletiva A palestra de abertura foi conduzida pelo psiquiatra e pesquisador da Fiocruz Dimitri Abramov, que também é professor da UNIFASE. Ele é coautor de um artigo científico que analisa como a cultura ocidental contemporânea, marcada pelo foco no desempenho, consumo e competição, pode estar associada ao crescimento de quadros de depressão e ansiedade. O especialista destacou que o cuidado com a saúde mental deixou de ser apenas uma questão individual e passou a ser um desafio social. “A gente vive hoje uma problemática muito grande em relação ao bem-estar da saúde mental do corpo docente. O trabalho de professor é muito desafiante, mas ele não pode ser desconectado de um contexto mais complexo, como a própria organização da nossa sociedade contemporânea. Isso põe para nós realmente a importância de fazer uma análise compreensiva, sobre o que de fato coloca o professor nessa exposição de agravo à saúde mental”, comenta. Dados do Ministério da Previdência Social reforçam o alerta. Em 2025, o Brasil registrou 546.254 afastamentos do trabalho por transtornos mentais e comportamentais, um aumento de 15,66% em relação a 2024, quando foram contabilizados 472.328 casos. Segundo Dimitri Abramov, esse cenário reflete um modo de vida que precisa ser repensado. Projetos que conectam universidade e comunidade A programação também apresentou experiências que aproximam ensino, território e população. Uma das oficinas, chamada “Trilhas que Transformam”, destacou projetos institucionais que impactam diretamente a comunidade. Entre eles está o “Comunidade que Cuida da Vida”, desenvolvido pela UNIFASE em parceria com a Defesa Civil de Petrópolis. A iniciativa começou no Posto de Saúde da Família da Estrada da Saudade e envolve alunos de Medicina e Enfermagem. O projeto atua na prevenção de riscos relacionados a desastres naturais, começando pelo mapeamento de moradores em situação de maior vulnerabilidade, como crianças, idosos e pessoas com dificuldade de locomoção. A partir dessas informações, são criadas estratégias de proteção e atuação em situações de emergência. Para a professora Lívia Teixeira, a iniciativa amplia o papel da instituição para além da sala de aula, promovendo impacto direto na vida da população. “A gente começa com a palavra de inspiração. Esperamos que com essa apresentação, professores e coordenadores se inspirem a participar desse projeto, que é um projeto que tem um diferencial que nem o grupo atual esperava. E que possamos formar mais alunos em todas as áreas e professores também, porque eu estou sendo formada o tempo inteiro participando desse projeto. É um tema diferente, que envolve mudanças climáticas, saúde planetária e que temos que colocar cada vez mais na nossa vida, não só como professora, mas na nossa vida”, afirmou. A parceria também é vista como estratégica pela Defesa Civil. A geógrafa Vitória Custódio destacou que a integração com a instituição fortalece o trabalho em rede e amplia o alcance das ações preventivas no território. “O Comunidade que Cuida da Vida é um projeto com muito potencial de formação, não só para os alunos, mas para toda a comunidade envolvida nele, de todas as equipes envolvidas na estratégia de saúde da família. Agora, ter a oportunidade de apresentar isso para o corpo docente amplia um pouco o nosso espectro de atuação. Conversar com outras áreas além da medicina e enfermagem amplia nossas possibilidades no território. Conseguir me enxergar nesse papel de educadora, recebendo e transmitindo informações, é muito importante, porque a gente consegue entender como o nosso trabalho pode afetar o outro, desde aquele que forma profissionais, mas também aqueles que vão receber soluções e construir soluções dentro das próprias comunidades. Então é importante aguçar essa sensibilidade para todos que estão envolvidos no processo”, comentou. Cuidado também na alimentação infantil Outra experiência apresentada foi a do Ambulatório de Terapia Alimentar, ligado ao Ambulatório Escola da instituição. O serviço atende crianças com seletividade alimentar, condição que atinge quase 20% das crianças brasileiras, principalmente entre 2 e 6 anos. Encaminhadas por pediatras, as crianças participam de um programa de 12 semanas, com acompanhamento individualizado e abordagem lúdica. O objetivo é transformar a relação com os alimentos, reduzindo conflitos e estimulando descobertas graduais — do olhar ao toque, do cheiro à degustação. De acordo com a professora Juliana Schaefer, o trabalho tem apresentado resultados positivos tanto para as crianças quanto para as famílias. “É uma alegria grande, não só porque é um projeto que já está acontecendo. Era um projeto piloto, mas que já está na prática. Após essa apresentação e com o passar dos semestres, a condição do ambulatório de terapia melhora e, no futuro, a gente sabe que outros profissionais da área da saúde podem se agregar também ao nosso ambulatório de terapia alimentar. Um atendimento multiprofissional no futuro. Então é uma alegria compartilhar isso com outros colegas”, finalizou.